O que são índices de rentabilidade e lucratividade?

Índices de rentabilidade e lucratividade são medidas quantitativas, de cálculo simples, que relacionam variáveis das demonstrações contábeis / financeiras das empresas – especialmente da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) e do Balanço Patrimonial –, com o propósito de facilitar uma análise gerencial acerca da capacidade da empresa de gerar retornos.

A necessidade de utilizar indicadores de rentabilidade e indicadores de lucratividade se dá no fato de que apenas analisar o lucro líquido de uma companhia pode não refletir o total potencial econômico e financeiro da empresa.

Índices de rentabilidade

Os índices de rentabilidade relacionam algum lucro da DRE com alguma variável do balanço patrimonial, especificamente do ativo ou do patrimônio líquido.

Diferença entre lucro e resultado

Os lucros (bruto, operacional, líquido, etc), obtidos na DRE, são também chamados de “resultados”, pois tecnicamente o termo lucro ocorre apenas quando o resultado é positivo. Por outro lado, um resultado negativo indica um prejuízo.

Cabe ressaltar, ainda, que os indicadores de rentabilidade possuem grande espaço nas análises das demonstrações contábeis, exercendo significativa influência sobre o processo de tomada de decisão gerencial dentro da empresa!

Nos índices de rentabilidade, as principais variáveis das demonstrações contábeis utilizadas como base de comparação, são:

  • Ativo total
  • Patrimônio líquido
  • Receitas de vendas

Já os principais resultados – entenda melhor no artigo sobre DRE – utilizados são:

  • Lucro operacional (lucro gerado pelos ativos)
  • Lucro líquido (após o IR)

Retorno operacional dos ativos (ROA)

O ROA é o retorno dos ativos. Mede a capacidade da empresa de gerar retorno com sua atividade fim, pois trata de uma relação entre o lucro operacional e o ativo total.

O lucro operacional pode ser entendido como o lucro gerado pelos ativos. O lucro operacional não depende da forma pela qual a empresa é financiada, pois vem antes das despesas financeiras, tendo ainda em sua composição a:

  • remuneração do capital próprio (sócios/acionistas) – lucro líquido;
  • e a remuneração do capital de terceiros (credores) – despesas financeiras.

A fórmula do ROA – retorno operacional dos ativos – é dada por:
$$ROA = \frac{\text{Lucro Operacional}}{\text{Ativo Total}}$$

Return on investment (ROI) – Retorno sobre o investimento

O ROI, retorno sobre o investimento, mede o poder de ganho da empresa. A fórmula do ROI é escrita da seguinte forma:

$$ROI = \frac{\text{Lucro Liquido}}{\text{Ativo Total}}$$

Return on equity (ROE) – Retorno sobre o patrimônio

Mede o poder de ganho dos proprietários. O retorno sobre o patrimônio mede o quanto de retorno uma companhia é capaz de gerar com o dinheiro que foi aplicado pelos acionistas (shareholders). A fórmula do ROE é dada por:

$$ROE = \frac{\text{Lucro Liquido}}{\text{Patrimonio Liquido}}$$

O uso de valores médios para o cálculo dos índices de rentabilidade

Ao invés de utilizar o ativo total, ou o patrimônio líquido do balanço patrimonial anual da companhia que está sendo analisada, alguns autores falam sobre utilizar o ativo total médio, ou o patrimônio líquido médio, ou seja, valores medidos com base nas informações dos dois últimos anos.

Como assim? Veja um exemplo: se a intenção é calcular o ativo total médio de 2017, então é preciso utilizar os dados do balanço patrimonial do 4o. trimestre (fechamento anual), somar ao valor do ativo total do fechamento anual de 2016 e dividir por dois. O mesmo raciocínio serve para o cálculo do patrimônio líquido médio, ou qualquer outra variável do balanço patrimonial.

Qual é a justificativa de calcular os índices de rentabilidade com valores médios? A justificativa reside no fato de que o balanço patrimonial é uma demonstração estática, que representa como que uma foto da empresa. Isso significa que o balanço patrimonial de 31/12 (fechamento anual) pode não refletir a composição do patrimônio da companhia ao longo de todo o exercício que passou. Por isso, para tornar os indicadores de rentabilidade mais próximos da realidade, é mais recomendado utilizar valores médios, sempre que possível.

Vale ainda ressaltar que as variáveis da DRE, uma demonstração dinâmica, já contemplam o somatório do ano todo em relação às vendas, custos, despesas, tributos, etc.

Índices de lucratividade

Os índices de lucratividade relacionam algum lucro da DRE com a receita de venda (receita líquida da DRE). Os indicadores de lucratividade, também chamados de índices de margem, são também obtidos pela análise vertical da DRE.

Os indicadores de lucratividade medem a eficiência da empresa em produzir lucro por meio das suas vendas.

Uma análise gerencial dos indicadores de margem permite ao gestor ou investidor identificar um caminho para um possível problema de eficiência dentro da empresa.

Veja um exemplo: se a margem EBTIDA tem se mantido relativamente constante ao longo dos anos, mas a margem líquida tem caído, após uma análise mais detalhada o investidor pode concluir que o problema está no alto custo financeiro, devido a uma má gestão do capital de giro que tem levado à necessidade de captação de empréstimos caros de curto prazo.

Margem bruta (MB)

A margem bruta é o índice de lucratividade que relaciona o lucro bruto com a receita líquida, também chamada de “vendas“.

$$MB = \frac{\text{Lucro Bruto}}{\text{Vendas}}$$

Margem Operacional

A margem operacional é o índice de lucratividade que relaciona o lucro operacional com as vendas.
$$MO = \frac{\text{Lucro Operacional}}{\text{Vendas}}$$

Margem EBIT

O lucro operacional, da forma como é tratado pela legislação brasileira (Lei da SA`s), leva em conta a dedução das despesas administrativas, de vendas e financeiras (relacionadas com a atividade fim da empresa).

O EBIT (Earnings Before Interest and Taxes, LAJIR em português), também entendido como uma forma de medir o lucro operacional, leva em conta apenas a dedução das despesas administrativas e de vendas, deixando as despesas financeiras (operacionais ou não) para deduzir na sequência da DRE.

Neste contexto, outro índice de lucratividade é a margem EBIT, dada pela seguinte equação:
$$M_{\text{EBIT}} = \frac{\text{EBIT}}{\text{Vendas}}$$

Margem EBITDA

Ainda falando sobre a eficiência operacional de uma empresa, o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization, LAJIDA, em português) é outra medida das operações (atividade fim) de uma empresa. A diferença entre o EBIT e o EBTIDA é que o EBTIDA, além de não considerar nenhum tipo de despesa financeira, desconsidera também os efeitos da depreciação e da amortização.

A justificativa prática para utilizar a margem EBITDA nas análises gerenciais está no fato de que a depreciação e a amortização, apesar de serem contabilmente classificadas como despesas, não geram desembolso na prática. Por isso, a margem EBITDA é muito utilizada em métodos de valuation, por exemplo, para mensurar o valor de uma empresa.

$$M_{\text{EBITDA}} = \frac{\text{EBITDA}}{\text{Vendas}}$$

Margem líquida

A margem líquida é o melhor método para representar o usual termo “margem de lucro”. A margem líquida é o índice de lucratividade mais genérico de uma companhia, pois relaciona o lucro líquido com as vendas (receita líquida da DRE).

Uma empresa que possui uma margem líquida superior aos seus concorrentes diretos é uma empresa eficiente em suas atividades operacionais e também eficiente na sua gestão financeira. Veja a fórmula da margem líquida:

$$ML = \frac{\text{Lucro Liquido}}{\text{Vendas}}$$

Conclusão: índices de rentabilidade e lucratividade

Este artigo mostrou em detalhes quais são e o que são índices de rentabilidade e lucratividade. Os índices de rentabilidade relacionam variáveis de resultado da DRE com variáveis patrimoniais do balanço patrimonial. Já os índices de lucratividade relacionam variáveis de resultado da DRE (lucros) sempre com a Receita Líquida, chamada também de “vendas”.

Cada indicador de rentabilidade e de lucratividade possui alguma peculiaridade. Com uma análise cuidadosa de cada um deles é possível ter uma boa noção acerca da capacidade da empresa tanto em gerar retornos com sua atividade principal, quanto da sua capacidade de fazer uma boa gestão administrativa e financeira.