Heurísticas e vieses: atalhos e erros na tomada de decisão

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Estimar probabilidades não é uma tarefa fácil. Aliás, é uma tarefa praticamente impossível em determinadas situações que envolvem eventos incertos. Quanto mais complexa a tarefa, mais difícil se torna definir o percentual de chance de ocorrência de certa situação. Continue lendo e entenda o que são heurísticas e vieses cognitivos no processo de tomada de decisão.

Dizer que a probabilidade de uma moeda cair cara ou coroa é de 50% para cada lado é uma tarefa simples, rápida e que proporciona um resultado correto, desde que o método de jogar a moeda seja justo e a própria moeda não possua alterações físicas que a façam cair mais de um lado do que de outro.

Agora, ao adicionarmos um certo grau de complexidade, fica cada vez mais difícil dimensionarmos a probabilidade de ocorrência de cada um dos possíveis eventos em dada tarefa.

Por exemplo, podemos ter nosso palpite acerca de quem vencerá a próxima eleição, mas nunca saberemos ao certo a exata probabilidade, pois a quantidade de fatores que podem influenciar na escolha de cada eleitor vai além do nosso alcance. Mas mesmo assim, quando somos questionados sobre quem vencerá a eleição costumamos ter na ponta da língua nossas estimativas para cada um dos candidatos.

Prefere entender melhor sobre o que são heurísticas em um vídeo? Então veja só:



O que são heurísticas e vieses?

A essas respostas rápidas que costumamos dar a perguntas extremamente complexas chamamos de heurísticas, ou seja, são atalhos mentais que facilitam a tomada de decisão.

Isoladamente as heurísticas não representam algo ruim. Pelo contrário, em contextos em que precisamos tomar diversas decisões complexas de forma rápida as heurísticas possuem papel fundamental, pois viabilizam escolhas adequadas, embora imperfeitas.

“Heurística é um procedimento simples que ajuda a encontrar respostas adequadas, ainda que geralmente imperfeitas, para perguntas difíceis. A palavra vem da mesma raiz que heureca” (Kahneman, 2012, p. 127).

As heurísticas são estratégias gerais que podem conduzir a decisões adequadas. O que ocorre é que nós, seres humanos, costumamos falhar em definir os limites dessas estratégias, fazendo com que nem sempre a melhor decisão seja escolhida.

A utilização de heurísticas pode ocasionar vieses, ou seja, uma tendência sistemática de violar alguma forma de racionalidade teoricamente predominante. O que acontece é que os vieses acabam distorcendo, ou pelo menos limitando, a capacidade de tomarmos decisões racionais (Sternberg, 2008). Estes erros são fruto de uma resposta incompleta, que não permite que a decisão tomada seja ótima.

Conforme Shefrin (2010), apesar de alguns vieses estarem associados especificamente a algumas heurísticas, outros derivam de uma séries de outros fatores. Tende a ser mais fácil identificar a existência de um viés no processo decisório do que identificar a sua causa.

A lista de vieses cognitivos é extensa. Mas alguns exemplos são: efeito dotação, efeito disposição, status quo, excesso de confiança / otimismo, aversão à perdas, entre outros. Mais exemplos podem ser vistos aqui.

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A heurística é um meio de simplificar tarefas impossíveis. Neste sentido, uma das ideias centrais ao tratar de heurísticas diz respeito à substituição. As pessoas se utilizam de heurísticas, por exemplo, ao fazer julgamentos de probabilidade sem sequer ter estudado probabilidade alguma vez na vida (como o exemplo das eleições dado acima).

Quando temos uma pergunta difícil para responder surgem as perguntas heurísticas, que sempre fornecem uma resposta pronta para cada uma das difíceis perguntas-alvo.

A pergunta-alvo é a avaliação que tentamos produzir. A pergunta-heurística é a pergunta mais simples que respondemos em lugar da pergunta-alvo. Seguem alguns exemplos retirados de Kahneman (2012):

Pergunta-alvo Pergunta-heurística
Até que ponto você contribuiria para salvar espécies em risco de extinção? Até que ponto me emociono quando penso em golfinhos morrendo?
Qual será a popularidade do presidente daqui a seis meses? Qual é a popularidade do presidente hoje?
O quanto você está feliz com sua vida atualmente? Qual é o meu humor neste exato momento?

Vale lembrar que não estamos fadados a tomar nossas decisões sempre por meio de heurísticas. Temos a capacidade de não decidir por meio desse atalho intuitivo.

Inicialmente, Daniel Kahneman e Amos Tversky identificaram três principais heurísticas: a (i) heurística da representatividade, (ii) da disponibilidade e (iii) da ancoragem (Tversky e Kahneman, 1974). Além disso, outra importante heurística é a do afeto (Kahneman, 2012).

heurísticas

Heurística da representatividade

Afirma que os indivíduos avaliam a probabilidade de um evento “B” pelo nível em que um evento “A” se assemelha de “B”. Um exemplo dado por Tversky e Kahneman (1974) ajuda na compreensão desta heurística:

Considerando que um indivíduo é muito tímido e retraído, está sempre pronto a ajudar, porém possui pouco interesse nas pessoas e no mundo a sua volta; é tranquilo e organizado; tem necessidade de ordem e estrutura e uma paixão por detalhes. Além disso, podemos supor que este indivíduo é engajado em uma profissão específica.

Dessa forma, com base nas características do indivíduo as pessoas tendem a imaginar a possível profissão dele utilizando o estereótipo de diversas profissões (como por exemplo, físico, matemático, bibliotecário, vendedor, médico ou fazendeiro). Contudo, utilizar esta abordagem a julgamentos de probabilidade pode conduzir a sérios erros, pois a similaridade (ou representatividade) não é influenciada por diversos fatores que deveriam afetar julgamentos de probabilidade.

Em outras palavras, representatividade é a tendência em utilizar estereótipos para realizar julgamentos. Um exemplo desta heurística no campo das finanças é crer que o desempenho brilhante de uma organização no passado é “representativo” de um desempenho geral que a empresa continuará a obter no futuro (Boussaidi, 2013).

Heurística da disponibilidade

A segunda heurística é a da disponibilidade.  Significa que as pessoas de formar geral julgam a frequência ou a probabilidade de um evento pela facilidade com que exemplos ocorrem em suas mentes (Tversky e Kahneman, 1974).

Por exemplo, um indivíduo pode calcular a probabilidade de um jovem ter problemas cardíacos recordando quantos casos deste tipo já ocorreram com seus conhecidos.

A disponibilidade acompanha os seres humanos na vida cotidiana e de maneira geral é um método de eficácia relativa na tomada de decisões sobre frequência (Matlin, 2004).

Heurística da ancoragem

A terceira heurística é a da ancoragem. Pode-se dizer que a ancoragem é um desdobramento da heurística da representatividade. Nela os indivíduos focalizam a atenção sobre uma informação recentemente recebida e a usam como referência para fazer uma estimativa ou tomar uma decisão.

A âncora é um valor relevante que está disponível ao tomador de decisão. As pessoas fazem estimativas a partir de um valor inicial, que é ajustado para produzir a resposta final. A âncora pode ser inserida na formulação do problema em questão, ou pode ser resultado de uma análise parcial. (Tversky e Kahneman, 1974).

Ainda a respeito da ancoragem, Tversky e Kahneman (1974, p.1128) pediram aos participantes de seu estudo que girassem uma roleta para sortear um número qualquer entre zero e cem. Após o sorteio os autores realizaram algumas perguntas sobre certas quantidades (como por exemplo, quantos países africanos eram membros da ONU). Como resultados os pesquisadores perceberam que aquele número aleatório previamente sorteado teve forte influência nas respostas dos participantes. Grupos de pessoas que receberam números próximos a 10 no sorteio estimaram que cerca de 25 países africanos eram membros da ONU, enquanto esta estimativa subiu para 45 quando o número retirado na roleta foi próximo a 65.

Heurística do afeto

Relacionada com a ancoragem, a heurística do afeto trata de deixar as simpatias e antipatias determinarem as crenças acerca do mundo. Por exemplo, uma pessoa que antipatiza com carne vermelha, energia nuclear, tatuagens ou motocicletas, provavelmente supervaloriza os riscos e despreza os benefícios destas ilustrações.

Em outras palavras, a heurística do afeto está relacionada com as qualidades “bom” ou “ruim” que atribuímos a certas experiências, com ou sem consciência.

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Considerações

As heurísticas são atalhos, respostas rápidas e prontas que temos na ponta da língua para diversas perguntas complexas que nos são feitas. Em muitos casos as heurísticas são boas e refletem em decisões rápidas e com resultados satisfatórios, mesmo que imperfeitos ou incompletos. No entanto, o uso destes atalhos também pode conduzir a erros sistemáticos, os chamados vieses cognitivos.

Uma forma de reduzir o impacto das heurísticas no processo de tomada de decisão é conhecê-las e, cada vez que percebermos estar prestes a utilizar um atalho mental, sujeitarmos essa decisão que precisa ser tomada a uma avaliação mais detalhada e racional. Conforme explica Kahneman (2012), “o Sistema 2 tem a oportunidade de rejeitar essa resposta intuitiva ou de modificá-la incorporando outra informação”.

Observação: Kahneman (2012) denomina Sistema 1 e Sistema 2 como duas formas de pensar, sendo a primeira rápida e intuitiva e a segunda lenta, porém mais racional.

Referências

Boussaidi, R. (2013). Representativeness Heuristic, Investor Sentiment and Overreaction to Accounting Earnings: The Case of the Tunisian Stock Market. Procedia – Social and Behavioral Sciences, 81(28), 9–21.
Kahneman, D. (2012). Rápido e devagar: duas formas de pensar (p. 607). Rio de Janeiro: Objetiva.
Matlin, M. (2004). Psicologia Cognitiva (5a. ed.). Rio de Janeiro: LTC Editora.
Shefrin, H. (2010). Behavioralizing finance. Hanover: Now Pub.
Sternberg, R. J., & Mio, J. S. (2009). Cognitive psychology. Wadsworth Publishing Company.
Tversky, A., & Kahneman, D. (1974). Judgment under uncertainty: Heuristics and biases. Science, 185(4157), 1124–1131.